Na noite dos paradoxos,
A claridade impera
De moço, o bandido se traveste
A água logo se faz vinho
O amor deixa de ser peste
As estrelas apagam sem aviso
Sutil defesa é a frieza
Que faz do verso, um inverso.
Na noite dos paradoxos,
O carro nos roda
O crime não compensa
Seu corpo vira alma
O desejo torna-se pressentimento
O prazer curto se faz jornada
A pintura linda, agora inacabada
Desperta o sofrer intenso
Por uma próxima mirada
Na noite dos paradoxos,
Chorar é a maior alegria
O abraço, tortura repentina
A colisão das bocas trêmulas,
Uma loucura furtiva
Todo instante é para sempre
Marca indelével na pele
Perfume que não mais se descola
Bebida jamais etérea
Sabor permanentemente temporário
Pudera eu deter o tempo
Pudera eu ter-te entre os dedos
Pudera eu convencer tua alma
Pudera eu matar os certos e errados
E fazer de nosso paradoxo
Uma delícia imortal.




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