Estação Mistério


23/09/2009


Olho para o mar

Olho para o mar

E me vem à cabeça

Seu jeito de olhar

Sei que tuas roupas

Repousam num canto

Que não sei tocar

 

Olho pro mar

Tuas vestes sobrevoam

O tremor do luar

Onda leve que espera

O doce balanço

Da vela a chegar

 

Moça dourada

Que pele tão bela

Traz tanto pesar

Me imagino sem ela

Volto pra favela

Pra poder chorar

 

Meu coração não feito de azul

Nasceu pra bradar

E num sufoco, num encanto

Tão rouco

Sussurra na noite

A eternizar

Teu nome se espalha

Por entre as vielas

E sem perguntar

 

E me bate à porta

No meio da noite

Sem pestanejar

 

Não sei responder

Se querer é poder

Ou mero pecar

Escrito por Rodolfo Araújo às 09h11
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