Olho para o mar
E me vem à cabeça
Seu jeito de olhar
Sei que tuas roupas
Repousam num canto
Que não sei tocar
Olho pro mar
Tuas vestes sobrevoam
O tremor do luar
Onda leve que espera
O doce balanço
Da vela a chegar
Moça dourada
Que pele tão bela
Traz tanto pesar
Me imagino sem ela
Volto pra favela
Pra poder chorar
Meu coração não feito de azul
Nasceu pra bradar
E num sufoco, num encanto
Tão rouco
Sussurra na noite
A eternizar
Teu nome se espalha
Por entre as vielas
E sem perguntar
E me bate à porta
No meio da noite
Sem pestanejar
Não sei responder
Se querer é poder
Ou mero pecar




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