narc
ose
necr
encontre-me fora de você
e de mim
em um passo de dor
ao redor de um fim
arranha a corda o feixe tenso
arranca um agudo brado de pavor
fervor, tocar, calor
suspiram em desespero as dobras
conspiram juntas as pernas
entreolham-se os lábios
contorcem-se ambos em concerto
de torpor
perfume de vinho entre os dedos
pequenas palavras em segredo
lúgubre sabor do tempo que passa
desvelam o pecado de outrora
consumam o consumir, sem medo
ao ouvir o mover do vestido
invejo bravamente os contornos que faz o vento
a embrenhar pelos teus entres o tecido
trama violenta da libido
aroma teu, inatingível
sabor teu, tão proibido
sopra o fole
à procura do ar
sangra a nota
em seu lírico brado
de dor
busca na noite
o lamento
quer para si o açoite
tormento
fincado pela agudez do violino
pensa
suspira novamente na noite
densa
inspira saias rodadas
e um cinza flutuante
que paira
vem a mim o sussurrar
como âmbar, prende
como saliva, preenche
fincam e respiram
violino, bandoneón
bandoleiros
empoeirados
sedutores puídos
sorrisos contidos
outrora
a glória
hoje, memória
à boca pequena
embrenho-me
vítima de sussurros
dizeres
discretos
saberes
anônimos
promessas
oblíquas
quereres
proibidos
quieta
libido
Nossos
(vazios) (vazios)
preenchem-se
um azul tão meu por entre as frestas
perfume de madeira, cor de inverno
novelos rubros por onde gritam sonhos
roucos, desejosos, fulgurantes
num instante, aparece
rompante e bela, adormece
funde-se a meus braços, poesia
respira aliviada, fugidia
tem na minha carne a morada
oásis em meio à jornada amarga
lúgubre, áspera
plena de ares urbanos
cinzas, duros
rasga o asfalto com os pés brancos
rompe a membrana da pureza
castas solas imaculadas
nas frias superfícies da tristeza
caminhe, menina, caminhe
há um sol sob as cobertas
sonhe enquanto possa
a vida é bossa,
a vida é bossa.
Encrucijada
de voces, miradas, notas
baila, vecina, despacio
melancolicamente sangra en la carne
suspira dentro de los oídos el gemido endémico
de la ternura
buenísimos aires, fusión de rosa y plata
multicolorido amor que se extende
mar naranja
ampliado
mezcla
sol
idificado
vida mía que emerge
urgente, grita
adormece detrás de las grietas
largas puertas y paredes
a guardar el pecado exterior
en el interior del infinito horizonte
a residir en nuestras pieles.
Estar além de mim, o que quero
sentir-me à margem da própria pele
respirar-me, olhar-me, expandir-me
ver-me exposto
deixando cair pelas bordas
os signos, os lírios, os beijos
quero falar, quero gritar, bradar
seja lá qual o volume
seja lá para quem
fazer-me ouvir
não ser ninguém
Seu olhar escorrega sobre a capa do livro. Perde-se no próprio impulso. Renega a vontade, o querer. Já posso sentir daqui o calor. Acha que pinto seu rosto, sua empáfia cresce, meu desprezo aumenta.
< pioneiras em > CÓDIGO ABERTO < são >
as DONASDECASA
< /afinal >
receitas de bolo vagam pelos cantos
sempre
e cada prato é, mesmo assim,
diferente
dada a magia singular de cada
< mão >
Apenas mais uma noite
uma Lua sob a qual possa
resumir tudo: xingamentos
punhaladas, socos e beijos
Todos os regalos possíveis:
jóias, champagne, arranhões
cremes
Uma noite apenas, para estar
entre seus afazeres, pernas
e passos
misturar-me a seus olhos em
tom de ultimato
devorar-lhe os lábios imune
de qualquer pecado
sugar-lhe a alma como um
andarilho em desespero
sucumbir ao seu olor
fundir-me a seu leito
arrancar-lhe as roupas
entranhar-me na carne
beber-te na fonte
destituir-me do passado no
presente
para que não existas
amanhã
A boca me deste, radiante
lilás, espessa, cintilante
ofereceste-a como - da fruta - o instante
a envolver sementes com corpo e polpa
Derramaste o líquido pelo vidro aberto
concedeste altiva o néctar
entregaste zelosa o verbo
imperativo: jamais parar
Tu eras flor, curva, mosaico
tontura, varanda, paisagem
ofegar, transpirar, liquefazer
Livro, garrafa, estilhaço
e perfume
Branca, água
juntas
mistura
pisco
fim
ser tantos, tão poucamente
em cada carcaça
existir nos recantos, em tantos
ser um pouco de mim pelas frestas dos minutos
mas tão pouco a ponto de nada ser
olhar o trem que passa e borra o quadro
de tão veloz, feito a vida,
mal começada e já no fim da subida
melhor não enxergar a ladeira
suportar o caminho, com todas as máscaras
falas, tons e amarelados sorrisos
mutante a cada minuto
refém do invisível
refugiado das cores da infância
tão nubladas quando, ontem, abri a janela
tragar copos e fumaças
trilhar a lâmina de abismos
lançar-se ao delicioso não-sabido
deixar-se tocar pelo escuro horizonte não-vivido
não é sim
quando se deseja viver
ser tantos, tão poucamente
em cada carcaça
existir nos recantos, em tantos
ser um pouco de mim pelas frestas dos minutos
mas tão pouco a ponto de nada ser
olhar o trem que passa e borra o quadro
de tão veloz, feito a vida,
mal começada e já no fim da subida
melhor não enxergar a ladeira
suportar a subida, com todas as máscaras
falas, tons e amarelados sorrisos
mutante a cada minuto
refém do invisível
refugiado das cores da infância
tão nubladas quando, ontem, abri a janela
tragar copos e fumaças
trilhar a lâmina de abismos
lançar-se ao delicioso não-sabido
deixar-se tocar pelo escuro horizonte não-vivido
não é sim
quando se deseja viver


Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, SANTO AMARO, Homem, Spanish, Portuguese, Arte e cultura, Esportes
MSN - ask me