Estação Mistério


14/05/2009


sinonímia

narc

       ose

necr

Escrito por Rodolfo Araújo às 23h56
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01/05/2009


plurais

encontre-me fora de você

e de mim

em um passo de dor

ao redor de um fim


arranha a corda o feixe tenso

arranca um agudo brado de pavor

fervor, tocar, calor

suspiram em desespero as dobras

conspiram juntas as pernas

entreolham-se os lábios

contorcem-se ambos em concerto

de torpor


perfume de vinho entre os dedos

pequenas palavras em segredo

lúgubre sabor do tempo que passa

desvelam o pecado de outrora

consumam o consumir, sem medo


ao ouvir o mover do vestido

invejo bravamente os contornos que faz o vento

a embrenhar pelos teus entres o tecido

trama violenta da libido

aroma teu, inatingível

sabor teu, tão proibido

Escrito por Rodolfo Araújo às 11h51
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24/04/2009


Tango-me

sopra o fole

à procura do ar

sangra a nota

em seu lírico brado

de dor

busca na noite 

o lamento

quer para si o açoite

tormento

fincado pela agudez do violino

pensa

suspira novamente na noite

densa

inspira saias rodadas

e um cinza flutuante

que paira

vem a mim o sussurrar

como âmbar, prende

como saliva, preenche

fincam e respiram

violino, bandoneón

bandoleiros

empoeirados

sedutores puídos

sorrisos contidos

outrora

a glória

hoje, memória

Escrito por Rodolfo Araújo às 22h33
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09/03/2009


à boca pequena

à boca pequena

embrenho-me

vítima de sussurros

dizeres

discretos

saberes

anônimos

promessas

oblíquas

quereres

proibidos

quieta

libido

 

Escrito por Rodolfo Araújo às 13h03
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07/03/2009


(pro)fusão

                             Nossos

(vazios)                                              (vazios)

                        preenchem-se

 

Escrito por Rodolfo Araújo às 15h20
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03/03/2009


O caminhar da menina

um azul tão meu por entre as frestas

perfume de madeira, cor de inverno

novelos rubros por onde gritam sonhos

roucos, desejosos, fulgurantes

num instante, aparece

rompante e bela, adormece

funde-se a meus braços, poesia

respira aliviada, fugidia

tem na minha carne a morada

oásis em meio à jornada amarga

lúgubre, áspera

plena de ares urbanos

cinzas, duros

rasga o asfalto com os pés brancos

rompe a membrana da pureza

castas solas imaculadas

nas frias superfícies da tristeza

caminhe, menina, caminhe

há um sol sob as cobertas

sonhe enquanto possa

a vida é bossa,

a vida é bossa.

Escrito por Rodolfo Araújo às 16h08
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02/03/2009


Una noche en Buenos Aires

 

Encrucijada

de voces, miradas, notas

baila, vecina, despacio

melancolicamente sangra en la carne

suspira dentro de los oídos el gemido endémico

de la ternura

buenísimos aires, fusión de rosa y plata

multicolorido amor que se extende

mar naranja

ampliado

mezcla

sol

   idificado

vida mía que emerge

urgente, grita

adormece detrás de las grietas

largas puertas y paredes

a guardar el pecado exterior

en el interior del infinito horizonte

a residir en nuestras pieles.

 

Escrito por Rodolfo Araújo às 12h19
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Contido

Estar além de mim, o que quero

sentir-me à margem da própria pele

respirar-me, olhar-me, expandir-me

ver-me exposto

deixando cair pelas bordas

os signos, os lírios, os beijos

quero falar, quero gritar, bradar

seja lá qual o volume

seja lá para quem

fazer-me ouvir

não ser ninguém

Escrito por Rodolfo Araújo às 11h58
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11/11/2008


Ondas de calor

Seu olhar escorrega sobre a capa do livro. Perde-se no próprio impulso. Renega a vontade, o querer. Já posso sentir daqui o calor. Acha que pinto seu rosto, sua empáfia cresce, meu desprezo aumenta.

Escrito por Rodolfo Araújo às 00h28
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Open source doméstico

< pioneiras em > CÓDIGO ABERTO < são >
as DONASDECASA
< /afinal >
receitas de bolo vagam pelos cantos
sempre
e cada prato é, mesmo assim,
diferente
dada a magia singular de cada
< mão >

Escrito por Rodolfo Araújo às 00h25
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Efêmera

Apenas mais uma noite
uma Lua sob a qual possa
resumir tudo: xingamentos
punhaladas, socos e beijos

Todos os regalos possíveis:
jóias, champagne, arranhões
cremes

Uma noite apenas, para estar
entre seus afazeres, pernas
e passos
misturar-me a seus olhos em
tom de ultimato
devorar-lhe os lábios imune
de qualquer pecado
sugar-lhe a alma como um
andarilho em desespero
sucumbir ao seu olor
fundir-me a seu leito

arrancar-lhe as roupas
entranhar-me na carne
beber-te na fonte

destituir-me do passado no
presente
para que não existas
amanhã

Escrito por Rodolfo Araújo às 00h23
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Memórias I

A boca me deste, radiante
lilás, espessa, cintilante
ofereceste-a como - da fruta - o instante
a envolver sementes com corpo e polpa

Derramaste o líquido pelo vidro aberto
concedeste altiva o néctar
entregaste zelosa o verbo
imperativo: jamais parar

Tu eras flor, curva, mosaico
tontura, varanda, paisagem
ofegar, transpirar, liquefazer

Livro, garrafa, estilhaço
e perfume

Escrito por Rodolfo Araújo às 00h19
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30/10/2008


Mirada

Branca, água

juntas

mistura

pisco

fim

Escrito por Rodolfo Araújo às 09h14
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28/03/2008


Binário destino

ser tantos, tão poucamente
em cada carcaça

existir nos recantos, em tantos
ser um pouco de mim pelas frestas dos minutos
mas tão pouco a ponto de nada ser

olhar o trem que passa e borra o quadro
de tão veloz, feito a vida,
mal começada e já no fim da subida

melhor não enxergar a ladeira
suportar o caminho, com todas as máscaras
falas, tons e amarelados sorrisos
mutante a cada minuto
refém do invisível
refugiado das cores da infância
tão nubladas quando, ontem, abri a janela

tragar copos e fumaças
trilhar a lâmina de abismos
lançar-se ao delicioso não-sabido
deixar-se tocar pelo escuro horizonte não-vivido

não é sim
quando se deseja viver

Escrito por Rodolfo Araújo às 14h11
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Binário destino

ser tantos, tão poucamente
em cada carcaça

existir nos recantos, em tantos
ser um pouco de mim pelas frestas dos minutos
mas tão pouco a ponto de nada ser

olhar o trem que passa e borra o quadro
de tão veloz, feito a vida,
mal começada e já no fim da subida

melhor não enxergar a ladeira
suportar a subida, com todas as máscaras
falas, tons e amarelados sorrisos
mutante a cada minuto
refém do invisível
refugiado das cores da infância
tão nubladas quando, ontem, abri a janela

tragar copos e fumaças
trilhar a lâmina de abismos
lançar-se ao delicioso não-sabido
deixar-se tocar pelo escuro horizonte não-vivido

não é sim
quando se deseja viver

Escrito por Rodolfo Araújo às 14h09
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